Wilson Sons Rebocadores pretende entregar 12 novos barcos até 2016
Com investimentos de US$ 140,7 milhões, embarcações de apoio portuário estão sendo construídas no estaleiro da companhia, no Guarujá (SP)
Impulsionada pelo crescimento da indústria de óleo e gás e o aumento da demanda comercial nos portos brasileiros, a Wilson Sons Rebocadores (empresa de apoio portuário do Grupo Wilson Sons) anuncia a construção de 12 novos rebocadores, que totalizam investimento de US$ 140,7 milhões, dos quais 84% são financiados pelo Fundo de Marinha Mercante.
As novas embarcações, que contarão com tecnologias sofisticadas e de última geração, estão sendo construídas pela Wilson Sons Estaleiros, no Guarujá, litoral de São Paulo. A companhia informa que dentre os 12 rebocadores cinco já foram entregues em 2014, são eles: WS Phoenix, WS Antares, WS Bellatrix, WS Pegasus e WS Perseus. As próximas quatro embarcações são esperadas para 2015 e as demais têm saída prevista para 2016.
Conhecida por oferecer uma das maiores frotas de rebocadores da América Latina, a empresa é líder em serviços de rebocagem naval no país, com 74 embarcações em operação em toda a costa brasileira. A Wilson Sons também atua em operações especiais, entendidas como reboque oceânico, assistência e salvatagem e outras operações acessórias, como o apoio a operações de offloading. E tem, dentre seus clientes, os principais armadores do mundo.
Para conhecermos melhor o novo projeto da Wilson Sons Rebocadores, o SINCOMAM conversou com o diretor de operações da Wilson Sons Rebocadores, Sérgio Guedes, que falou sobre as novas tecnologias utilizadas nas embarcações, a mudança na identidade visual da marca e as expectativas para 2015.
“O objetivo é ampliar e renovar a frota da companhia, com embarcações mais modernas e potentes que atendam às necessidades dos portos brasileiros”, disse Sérgio Guedes.
Revista SINCOMAM – Relate sobre a trajetória da Wilson Sons Rebocadores.
Sérgio Guedes – O negócio de rebocadores é um dos mais antigos e tradicionais da Wilson Sons. Em 1870, quando a então Wilson, Sons & Co. instalou-se em Recife, a empresa já operava rebocadores, batelões a alvarengas. No fim do século XIX a empresa possuía três rebocadores: Evelyn, Linosa e Felicidade. Ao iniciar o século seguinte, a Wilson Sons já estava estabelecida em vários portos do Brasil e oferecia com eficiência os serviços de rebocagem.
Os rebocadores da Wilson Sons destacaram-se em vários momentos da história do país, como na rebocagem do vão central da Ponte Presidente Costa e Silva, a Ponte Rio-Niterói, durante sua construção. Além disso, foram os primeiros de uma empresa nacional a prestar serviços a um navio em alto mar sem programação de escala em portos brasileiros.
Em 2002, a companhia foi pioneira ao participar do Projeto de Parques de Naufrágios Artificiais de Pernambuco. Desde então, já colaborou com oito rebocadores para o processo de colonização, ocupação biológica e lazer do parque. A excelência no setor levou a Wilson Sons a deter, a partir da década de 1990, percentual relevante do mercado de manobras de navios, serviços de reboque de unidades flutuantes em alto mar e auxílio a obras de engenharia oceânica.
Atualmente, a Wilson Sons Rebocadores está entre os líderes em serviços de rebocagem naval no país. Sua frota é a maior do país e uma das maiores da América Latina e é formada em grande parte por embarcações modernas, de propulsão azimutal, com motores eletrônicos que emitem menos gases poluentes.
R.S. – Quantos rebocadores foram entregues até o momento?
Sérgio Guedes – Do ciclo comentado de 12 embarcações em construção já foram entregues à operação cinco unidades de 70 toneladas de tração estática, todas equipadas com sistema de combate a incêndio ‘Fire Fighting 1’ (sistema utilizado com grande sucesso no combate a recentes incêndios em terminais açucareiros no Porto de Santos).
Todos os rebocadores em construção atualmente são de concepção azimutal, com motores principais de geração eletrônica e com os mais diversos equipamentos de navegação e comunicação, permitindo operações em todas as áreas homologadas, com total segurança e eficiência. São dotados também de guincho de reboque na proa e alguns com sistema de combate a incêndio (FiFi 1). Além disso, são rebocadores com capacidade de tração estática variando de 55 a 85 toneladas.
R.S. – Por que as embarcações são batizadas com nomes de corpos celestes?
Sérgio Guedes – Os corpos celestes são muito importantes para a navegação, já que guiaram as embarcações até o surgimento de equipamentos mais modernos. Há muitas décadas, a companhia optou por fazer essa homenagem, que se tornou a marca registrada de seus rebocadores.
Também tivemos uma única mudança na identidade visual das embarcações. Na recente frota, introduzimos a inclusão do prefixo “WS” a frente dos nomes dos corpos celestes, que continuam a batizar nossos rebocadores, como por exemplo: WS Phoenix, WS Antares, WS Bellatrix, WS Perseus, WS Pegasus e WS Leonis.
R.S. – Qual é a importância dos rebocadores estarem sendo desenvolvidos pelo estaleiro da Wilson Sons?
Sérgio Guedes – Para nós, é um grande diferencial fazer parte de um Grupo que tem um estaleiro como uma de suas unidades de negócios. A Wilson Sons possui dois estaleiros no município de Guarujá, chamados de Guarujá I e Guarujá II. Essas unidades possuem capacidade combinada para processar até 10 mil toneladas de aço por ano. Os estaleiros constroem, além dos nossos rebocadores, embarcações para o mercado de petróleo e gás, como PSVs (Platform Supply Vessels) e ROVSVs (Remotely Operated Vehicle Support Vessel).
R.S. – Por atuar no setor de óleo e gás, em que a segurança é fundamental, quais tecnologias estão sendo utilizadas para evitar riscos e acidentes?
Sérgio Guedes – Dois são os pontos principais em que a Wilson Sons Rebocadores se respalda para garantir a oferta contínua de operações eficientes e seguras com sua frota. A recorrente preocupação na capacitação de seus colaboradores voltada as suas políticas operacionais e de segurança, que seguem as melhores práticas de mercado, bem como a constante renovação das embarcações, trazendo também sempre o que existe de mais inovador e eficaz dessa indústria. Associado a esses pontos e considerando nossas operações em praticamente toda costa brasileira, desenvolvemos modelo de gestão com ferramenta de rastreamento por satélite – a Central de Operação de Rebocadores (COR) – onde apoiamos e controlamos todas as movimentações, cuidando, por exemplo, desde as rotas navegadas até o gerenciamento de velocidades, que implica na administração do consumo de combustível.
R.S. – Os investimentos da Wilson Sons Rebocadores não estão voltados apenas para a aquisição de novas embarcações. Assim sendo, quais ferramentas a empresa utiliza para capacitar seus profissionais?
Sérgio Guedes – A Wilson Sons Rebocadores possui no município de Guarujá (SP), uma unidade de instrução profissional, no caso o Centro de Aperfeiçoamento Marítimo William Salomon (CAMWS), importante ferramenta para capacitação dos nossos profissionais marítimos. Ali são tratados temas fundamentais para a navegação e operação dos rebocadores, com ênfase nas melhores práticas e também atendendo nossas políticas de qualidade e de saúde, meio ambiente e segurança. O CAMWS possui um simulador de manobras que integra a operação de navios e rebocadores, seja no apoio portuário, marítimo ou offshore. A companhia investiu R$ 2 milhões nesse equipamento, que reproduz situações extremas, como condições adversas de vento, mar, perda de motor e rompimento de cabo de reboque.
R.S. – Devido às incertezas do mercado brasileiro, quais são suas expectativas para o ano 2015?
Sérgio Guedes – É fato que existem incertezas quanto à economia, mas não só restritas ao Brasil. Vários mercados importantes para a balança comercial do país também estão enfrentando a necessidade de ajustes e tudo isso afeta diretamente a corrente de comércio, que, no nosso caso, diminui o volume de navios frequentando nossos portos. Ou seja, 2015 sinaliza que devemos ter os ‘pés no chão’, focando nossas ações nos principais centros de custos, buscando otimizá-los.
Fonte: SINCOMAM – Margarida Putti






