Internacional: UE faz reunião de emergência sobre tragédia com imigrantes
Até 950 pessoas podem ter morrido em um naufrágio perto da costa da Líbia na madrugada de domingo
Um dia depois de mais uma tragédia no Mediterrâneo, chanceleres da União Europeia (UE) prometeram nesta segunda-feira agir mais para impedir a morte de imigrantes, adotando medidas que preveem o aumento de operações de resgate e de captura de traficantes. Entre 700 e 950 pessoas podem ter morrido em um naufrágio perto da costa da Líbia, na madrugada de domingo.
Muitos governos europeus têm sido relutantes em financiar as operações de resgate no Mediterrâneo, por medo de incentivar mais pessoas a fazer a travessia em busca de uma vida melhor na Europa, mas agora enfrentam indignação com as mortes de refugiados.
Ao comentar o último naufrágio, a chefe de política externa da UE, a italiana Federica Mogherini, disse que o bloco europeu não tem mais desculpas diante da imigração.
— Com esta nova tragédia já é demais. A UE não tem mais desculpa, os Estados membros não têm mais desculpas. Precisamos de uma verdadeira política migratória, precisamos de medidas imediatas — disse Mogherini antes de uma reunião de ministros das Relações Exteriores do bloco.
Ela afirmou ainda que está determinada a construir um “senso comum de responsabilidade” para enfrentar a crise, e que os dirigentes da UE estão considerando uma cúpula de emergência em Bruxelas esta semana.
— É dever moral (da UE) se concentrar em nossa responsabilidade enquanto europeus para evitar que este tipo de tragédia se repita — acrescentou Mogherini.
Os ministros das Relações Exteriores fizeram um minuto de silêncio no início da reunião. Mais tarde, terão encontro com os ministros do Interior para uma discussão de emergência sobre a crise de imigração.
— O que está em jogo é a reputação da União Europeia — afirmou o ministro das Relações Exteriores italiano, Paolo Gentiloni, ao chegar à reunião de chanceleres, em Luxemburgo. — Não podemos ter uma emergência europeia e uma resposta italiana.
Até agora, os países do Norte da União Europeia têm deixado a maior parte das operações de resgate para os Estados do sul, como a Itália. Na semana antes da tragédia do fim de semana, a guarda costeira italiana resgatou quase 8 mil imigrantes no Mediterrâneo, de acordo com a Comissão Europeia, o órgão executivo da UE.
Pelo menos 3.500 pessoas, muitas delas fugindo da pobreza e de conflitos na África, morreram tentando atravessar o Mediterrâneo para chegar à Europa em 2014, de acordo com as Nações Unidas.
Pior desastre no ós-guerra
O desastre de domingo pode ter sido o pior no Mediterrâneo no pós-guerra — o naufrágio na Lampedusa, em 2013, deixou 366 mortos e 20 desaparecidos.
Inicialmente, falava-se de até 700 pessoas a bordo, mas um sobrevivente elevou o número a 950, incluindo 50 crianças e 200 mulheres. Só 28 pessoas foram resgatadas, além de 24 corpos. Os passageiros vinham de países como Argélia, Egito, Somália, Nigéria, Senegal, Gana e Bangladesh, entre outros.
— Muitos migrantes foram trancados em porões em níveis mais baixos do barco — disse um sobrevivente, segundo a imprensa local. — Os traficantes fecharam as portas para impedi-los de sair.
O naufrágio, que aconteceu depois de uma semana já marcada por centenas de mortes no mar, ocorridas em acidentes semelhantes nos dias anteriores, levou o Papa Francisco a fazer o segundo apelo à comunidade internacional em menos de 24 horas.
Fonte: O Globo / Agências Internacionais






