Trabalhadores do Comperj aprovam greve por reajuste salarial acima da inflação

Trabalhadores do Comperj aprovam greve por reajuste salarial acima da inflação

Decisão foi tomada em assembleia realizada nesta manhã. Operários reivindicam reposição da inflação e ganho real de 2%

Os trabalhadores do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) estão em greve pelo menos até a próxima segunda-feira. A decisão foi tomada na manhã desta, em assembleia realizada na estrada de acesso à obra da Petrobras. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores Empregados nas Empresas de Manutenção e Montagem Industrial do Município de Itaboraí (Sintramon), a categoria quer a reposição da inflação do período, mais um ganho real de 2%, além de reajuste no vale alimentação — hoje de R$ 410.

A proposta patronal é de 6% de reajuste, mesmo índice que seria aplicado sobre o auxílio para refeições. De acordo com o IBGE, em janeiro, a inflação acumulada nos últimos 12 meses já superava 7%. O aumento atingiria apenas os operários que recebem até R$ 5 mil, incluindo os encarregados. Já os operários que ganham acima deste valor permanecem com o salário atual. A assembleia reuniu cerca de 3 mil trabalhadores.

Sem salários

A crise no Comperj se arrasta desde o semestre passado, quando começaram as demissões no complexo. Pouco antes do feriado de carnaval, o Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro (MPT-RJ) ajuizou nova Ação Civil Pública para garantir o pagamento dos salários atrasados dos meses de janeiro em diante a 2,5 mil operários. Apenas os salários de janeiro atingem o montante bruto de R$ 7,8 milhões.

Na próxima segunda-feira, às 10h, será realizada audiência na Vara Trabalhista de Itaboraí entre a empresa responsável pelas contratações, Alumini, a Petrobras e o sindicato dos trabalhadores para tentar resolver o impasse.

Em outra ação, o MPT-RJ já havia requerido o pagamento dos atrasados de novembro e dezembro aos funcionários que ainda estão na ativa, além do pagamento das verbas rescisórias a quase 500 trabalhadores demitidos. Diante do pedido, a Justiça Trabalhista condenou a Alumini a pagar R$ 14 milhões para garantir o direito dos trabalhadores. O pagamento, no entanto, ainda depende da análise de recursos.

O procurador do trabalho do município de Niterói Maurício Guimarães de Carvalho requer que a Petrobras seja declarada responsável subsidiária, ou seja, que arque com os pagamentos, caso a Alumini não cumpra com a decisão judicial. Segundo o procurador, há sinais claros de que a empresa não possui condição de pagar os salários dos próximos meses.

Terceirizada

Nesta segunda-feira, em audiência mediada pelo MPT-RJ, a empresa Hal Engenharia, contratada pela Alumini para a prestação de serviços no Comperj, se comprometeu a pagar verbas rescisórias a 26 empregados dispensados. A dívida de R$ 180 mil será paga em seis parcelas com vencimento até o 5º dia de cada mês. Nesse valor está incluído ainda o pagamento da segunda parcela do décimo terceiro a 14 empregados que não haviam recebido os valores. A empresa concordou também em pagar R$ 500 de indenização a cada um dos trabalhadores dispensados.

Fonte: O Globo / Débora Diniz