Moradores da Barra do Riacho retomam nesta sexta protesto por empregos na Jurong

Moradores da Barra do Riacho retomam nesta sexta protesto por empregos na Jurong

Após a reunião realizada na última terça-feira (18) entre a Jurong, as empreiteiras contratadas para a obra do Estaleiro Jurong de Aracruz (EJA) e a sociedade civil organizada, os moradores da Barra do Riacho decidiram por uma nova paralisação nesta sexta-feira (21).

Nesta reunião, como retratou Herval Nogueira Junior, presidente da Associação dos Amigos da Barra do Riacho, apenas as empreiteiras que realmente contratam a mão de obra local estiveram presentes. Uma nova reunião está marcada para esta quinta-feira (20), às 15 horas, na própria comunidade, com as empreiteiras que não estiveram presentes e cuja maioria não cumpre com o estabelecido no licenciamento ambiental do estaleiro, que prevê a contratação de um mínimo de 80% de mão de obra local para todas as atividades referentes ao EJA.

Para Herval, a Jurong age com falta de respeito e irresponsabilidade em relação às comunidades mais atingidas pelo empreendimento. Ele destaca que os moradores do distrito não rechaçam o emprego de trabalhadores de outras regiões, mas destaca que a comunidade de Barra do Riacho já sofrem os impactos ambientais e sociais diretos da construção do estaleiro e que os empregos deveriam se destinar justamente os moradores mais atingidos pela chegada do empreendimento. Além disso, os moradores querem ser empregados nas áreas para a qual possuem qualificação.

Desde 2010, a região da Barra do Riacho recebe trabalhadores de diversas partes do País, atraídos pelas promessas de emprego oferecidas pela Jurong e pela Petrobras na região. Os que não foram contratados pela Petrobras ficaram no município, como uma população flutuante, aguardando os serviços da Jurong. Enquanto isso, os trabalhadores locais não são absorvidos, o que gera um grande problema social. Mesmo os contratados, são utilizados somente na fase de obras.

As populações tradicionais e os moradores que viram o avanço da construção do estaleiro já notam o aumento da criminalidade, a superlotação do sistema de saúde e de educação, e uma série de outros problemas sociais na região. Herval destaca que, embora a população da Barra do Riacho seja a maior atingida pelo estaleiro, todos os recursos que a empresa leva ao município são empregados nas estruturas da sede de Aracruz, que fica a 26 quilômetros do local de implantação do empreendimento. Hospitais e batalhão do Corpo de Bombeiros, por exemplo, são estruturas necessárias de segurança, mas só estão localizadas na sede do município.

No dia 3 de abril, a comunidade fará uma reunião com o Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) para rediscutir o que foi definido como região de impactos diretos do estaleiro em seu Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima). Segundo Herval, até mesmo o município de Fundão foi incluído como área de impacto direto do estaleiro.

Os moradores da região da Barra do Riacho já fizeram um protesto na última semana, quando fecharam a pista da rodovia ES 010, no trecho entre Barra do Sahy e Barra do Riacho, na altura do quilômetro 60, impedindo o acesso às obras do estaleiro. A Jurong enviou aos manifestantes um comunicado por escrito no qual propunha uma reunião no outro dia, quando os representantes da Jurong afirmaram interferência do governo do Estado nas contratações, por meio do programa Emprego Certo.

Fonte: Século Diário/Any Cometti